Maratona número 3: como foi.

(for the English version click here)

Depois de um mês de incertezas com dores no joelho, duas sessões de fisioterapia e poucas corridas curtas devido à contusão, finalmente tinha chegado o grande dia! A terceira maratona do projeto e a primeira na minha cidade natal.

Saímos as 6:45 da manha, eu e Joe, um amigo de trabalho da Austrália. Caminhamos até a orla e iniciei o aplicativo para enviar minha posição em tempo real para quem quisesse acompanhar a corrida. Tentei postar no blog e no Facebook mas algo nao estava certo, parecia que estava sem conexão. Voltamos ao hotel e de lá consegui iniciar tudo e partimos novamente. O aplicativo (chama-se Road ID e é excelente por sinal) acompanhava meus passos mas mal sabia eu que, apesar de mostrar minha posição na tela, os dados não estavam sendo enviados do meu celular. Só teria certeza disso bem mais tarde, por volta do quilômetro 18.

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Ipanema às 7 da manhã, no momento da largada. Vista do Leblon e Vidigal (esquerda) e Arpoador (direita).

Ipanema-Copacabana (10 km ida e volta com o Joe)

Mas voltemos ao começo. Do Posto 10 em Ipanema, eu e Joe iniciamos nossa corrida rumo à Copacabana. O dia estava belíssimo e seguimos o planejamento de correr num ritmo em torno de 6:30 min. por km. Chegando em Copacabana vimos os preparativos para o evento teste de ciclismo para as olimpíadas. Tiramos fotos dos ciclistas, dos carros de apoio, e Joe ainda ficou correndo sem sair do lugar para posar para a foto abaixo em frente às motos da polícia rodoviaria federal que fariam a escolta dos atletas.

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Praia de Copacabana: os corredores, os nascer do sol, as equipes se preparando para o ciclismo de estrada, e Joe fazendo pose.

Seguimos até completar 5 km, o que marcava o momento de voltar. Já de volta à Ipanema, fomos desviados para fora da pista pela organização do evento. Nada que atrapalhasse muito pois já estávamos a poucos metros do ponto de partida: 10 km completos e hora de despedir-me do Joe, agradecer pela companhia e seguir em direção à Lagoa aonde encontraria Debinha, minha irmã.

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Voltando de Copacabana à Ipanema.

Volta na Lagoa (com Debinha e Crass)

Cheguei à Lagoa e não a vi. Comecei a correr lentamente olhando para os lados quando ouvi: “Ei! Espera por mim!” Fiquei aliviado por tê-la encontrado e corremos poucos metros no sentido anti-horário até encontrar o Crass, meu cunhado, que também correria conosco. Mudamos de sentido e aumentamos o ritmo para algo em torno de 5:30 min. por km. E assim fomos, correndo, apreciando a paisagem e tirando fotos.

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Volta na Lagoa: Debinha e Crass me acompanhando.

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Vista da Lagoa.

Na altura do heliponto, vi alguém que parecia meu primo Bibigo. Gritei mas a pessoa não respondeu. Deixei pra lá, afinal de contas não tinha combinado de encontrá-lo. Quem eu procurava mesmo era o Rafa e o Ramon, irmão e primo da Marcele, minha esposa. Já chegando ao fim da volta na Lagoa, estranhei o fato de não encontrá-los e pedi ao Crass o telefone dele para checar o link para a app. Estava no blog, no facebook mas como já adiantei acima, não havia conexão e os dados não estavam sendo enviados. Não sei se o problema foi no aparelho ou com a operadora (Vivo) mas foi o único transtorno que tive durante a corrida.

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Percurso final e perfil de elevação. As estatísticas podem ser vistas aqui. Embaixo, o sinal enviado pelo meu celular para o acompanhamento em tempo real. Claramente fiquei sem conexão na primeira metade da corrida e também em uma parte da floresta. A partir do alto a culpa foi da bateria…

Deixei minha irmã e meu cunhado depois de uma volta completa e segui meu caminho. Olhei para a tenda dos Filhos do Vento, um grupo de corrida no Rio, e vi aquele mesmo cara que parecia meu primo. Aproximei-me e gritei: “Bibigo!!!” Era realmente ele. Nos abraçamos, pulamos, xingamos de alegria! Expliquei para ele o que eu estava fazendo e que a Debbie estava a poucos metros dali. Corremos juntos de volta ao ponto em que tinha deixado minha irmã, tiramos fotos e segui meu rumo sozinho.

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Acima: Eu, Debbie e Crass. Abaixo: Bibigo, eu e Debbie.

Da Lagoa até o Horto (com Rafa e Ramon)

Logo depois do Clube Monte Líbano fui surpreendido por Ramon e Rafael. Enfim haviam me encontrado! Apesar da minha falta de conexão, eles sabiam mais ou menos o horário que passaria na Lagoa e esperaram por mim. Corremos juntos ate o Clube Piraquê, ponto onde viraria à esquerda em direção ao Horto. Convidei-os a me acompanhar até onde quisessem já que não tínhamos nos encontrado a tempo de dar uma volta completa na Lagoa. E assim fomos rumo à subida, cruzando as ruas parcialmente fechadas devido ao evento de ciclismo. Na base da subida era novamente hora de despedir-me dos companheiros, agradecer pelo papo, pelo apoio e pelo alto astral. Ramon veio de Cachoeiras de Macacú no dia anterior só para a corrida. Obrigado Ramon e Rafa pela persistência em me encontrar!

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Esquerda topo: ainda incorformado, tentava ver o que havia de errado com o telefone. Esquerda abaixo: Ramon e eu. Direita: Rafa, eu e Ramon pouco antes de nos separarmos.

Eu a mata e a subida

De lá foi só pauleira: comecei minha jornada solitária rumo ao Cristo. É dificil descrever como me senti durante a subida. Adoro a floresta e sentia-me energizado, feliz e em casa. Em momento algum pensei no cansaço e até interpretava o som dos pássaros e dos macacos como gritos de apoio e encorajamento. Em muitos momentos a companhia dos animais era substituída pela presença das pessoas que ali estavam para observar o evento teste: os ciclistas subiriam pela Estrada das Canoas e desceriam por onde eu estava subindo. Devo agradecer aos voluntários, turistas e espectadores que tiraram fotos para mim e ouviam curiosos e surpresos a versão relâmpago da minha aventura.

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Vistas da floresta.

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Mapa com a dificuldade da subida. Enquanto subia notei que havia marcações com cores diferentes na estrada. Assumi que elas correspondiam ao grau de dificuldade no mapa mas, sinceramente, as partes marcadas de branco não me pareceram tão mais fáceis assim…

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Mais floresta. Eu juro que tinha um macaco bem ali quando tirei a foto da direita…

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Vista Chinesa.

Não havia sentido o joelho até chegar ao trecho de descida pouco depois do quilômetro 28. Senti um pouco mas apertei o passo para evitar a aterrisagem com o calcalnhar, tîpica de quem freia na descida, e que põe ainda mais estresse nos joelhos. Foi só um descomforto e na verdade a descida veio em boa hora. Já estava na casa dos 29 km e a quebra na subida me fez sentir ainda melhor. Cheguei à bifurcação onde à esquerda vai-se a São Conrado (de onde viriam os ciclistas) e à direita segue-se para a estrada do Alto e rumo ao Cristo. Fiquei tentado a esperar pelos atletas mas, segundo os voluntários, estavam ainda a uns 20 minutos daquele ponto. Segui pelo Alto e entrei na estrada que leva ao Corcovado. A trégua havia acabado e era hora de subir novamente. Pela primeira vez via o lado norte da cidade, o Maracanã e a ponte Rio-Niterói lá de cima. Contei com a boa vontade de pessoas que subiam a pé para tirar as fotos. Valeu pessoal!

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Esquerda: começo da segunda etapa da subida. Direita: vista do Maracanã e d aPonte Rio-Niterói.

Passei pela cancela na bifurcacao da Estrada Redentor e a Estrada do Sumaré e entrei em território bem familiar. Quando moravamos na Rua Alice em Laranjeiras, subi em diversas ocasiões até a Estrada das Paineiras e sabia que estava perto. A vista dali é sensacional e valeu algumas boas fotos. Minha água acabou no km 38 mas eu já estava me sentindo em casa e não me preocupei. Ainda passei por um cano de onde jorrava água e enfiei minha cabeça embaixo da fonte para refrescar. Meu último gole de água antes do fim, pensei.

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Vista nos últimos quilômetros.

Esses quilometros foram bem rápidos já que não havia mais subida e eu estava com aquela energia extra de quem sabe que falta pouco.Tirei várias fotos do Cristo para registrar minha aproximação da meta!

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A meta final vista de vários pontos da corrida.

Cheguei na bilheteria com cerca de 41 km e sabia que deveria subir mais. Pedi informação e indicaram a estrada de subida até a estátua. Foram os 2 km mais cruéis da corrida. Eu podia ver o Cristo e o calor e a sede começaram a pesar. Só pensava numa garrafa de água bem gelada naquele momento. Depois de mais de 43 km finalmente cheguei lá! Caminhei até a entrada e comprei meu ingresso. Caminhei sem muitas dificuldades por entre a multidão de turistas que faziam de tudo para desviar daquele ser suado que se misturava entre eles. Quem não conseguia desviar fazia uma cara de nojo mas eu não estava nem aí. Por mim eu saía abraçando e beijando todo mundo, tamanha a minha satisfação!

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Esquerda topo: entrada do trecho final de estrada para o Cristo. Demais fotos: precisa de legenda?

Encontrei, ou melhor, fui encontrado, pela Debbie, Crass e Joe que lá estavam fazia já algum tempo. Fiquei sabendo depois que o Rafa e o Ramon também foram até lá mas chegaram um pouco tarde. Aos pés da estátua recebi os parabéns em inglês de um turista que tinha me visto subindo a estrada. Tomei a tão sonhada água, tirei umas fotos, deixei mais alguns turistas enojados com meu suor e finalizei com uma lata de guaraná. Não fiquei muito tempo por lá porque tinhamos um almoço marcado. Os três iam descer de van mas meu ingresso nao dava direito ao transporte. Ao invés de comprar novo ingresso, resolvi descer correndo. Afinal de contas, pra descer todo santo ajuda! Não só desci como bati o recorde daquele trecho no Strava. Por essa eu nao esperava!

Fomos pra casa da minha irmã, tomei um banho e fomos comer comida mineira. Comi como há muito não comia e passei o resto da tarde tentando digerir aquilo tudo. A recuperação do almoço foi mais complicada que a recuperação da corrida! 😉

Foi tudo maravilhoso, o percurso, as pessoas que correram comigo e o almoço de celebração e despedida com os amigos e a família. A única coisa que poderia ter sido melhor foram as doações. Ainda fiquei abaixo do meu objetivo para a terceira maratona mas ainda há tempo para doar (tenho ainda 9 meses pela frente 🙂 ).

Agora é recuperar e planejar a de setembro.

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